quarta-feira, 9 de novembro de 2011


"O pai chega ao seu filho e diz: “- Filho, pegue! Aqui estão vários convites para as atrações mais legais do parque que você tanto sonhava em ir.” – ele se vira e sai.
O garotinho sonhador, pega os convites com muito amor e orgulho, e os distribui aos amigos, de forma humilde, dizendo: “ – Queridos amigos, quero que vocês compartilhem comigo desse momento mágico em minha vida.”
Alguns dias que antecediam ao passeio no parque, tão sonhado pelo garotinho, seu pai chega, cabisbaixo, dizendo: “- Filho, os convites não valem mais, o parque estará fechado para manutenção por uma empresa terceirizada, que não pode mudar a data, não há o que fazer.” E mais uma vez, ele vira e sai.
O garotinho, com o coração partido e muito preocupado com a reação de seus amigos, fica em silêncio, pensando no que poderia ser feito.
Depois de muito pensar, ele resolve ir até o parque conversar com o responsável pelas atrações, estranhando o fato de um “garotinho” querer conversar consigo, o funcionário o atende:
- Em que posso lhe ser útil?
O garotinho de olhar triste diz:
-  Querido amigo, tenho convites comprados para o dia 19 de novembro, mas meu pai me disse que o parque estará fechado, o que pode ser feito?
O rapaz, indiferente, disse:
- Ah! Não posso fazer nada, estarei de folga, quero mais é aproveitá-la, se você quiser te dou um convite para outro fim de semana qualquer, poderá escolher qualquer data, à vontade!
- Mas não quero outra data, moço! Distribui meus convites para outros amigos, e alguns nem sei onde moram!
O rapaz finaliza a conversa dizendo:
- Então não tem o que eu posso fazer! Desculpe, mas tenho mais o que fazer garoto.
Chorando, o garoto volta para casa e mesmo assim não desiste. Procura o telefone da empresa que faria a manutenção, liga para a mesma, e a informação é a mesma, que “nada poderia ser feito, quem cancela a manutenção é o parque!”
Ele vai atrás de cada um de seus amigos, e volta ainda mais triste, pois nenhum deles se importou em ser em outro dia, em outro lugar, ou outro horário, percebendo, que aquilo era, talvez, importante somente para ele.
No dia 19 de novembro ele vai ao parque bem cedinho, e fica na porta do mesmo esperando, sonhando, pensando em como aquele dia poderia ser divertido para todos se o parque abrisse.
Viu os homens passando, com seus materiais de trabalho, para fazerem a manutenção, e um homem de terno e gravata, que ficou surpreso ao vê-lo triste, sentado na portaria no parque.
- O que faz aqui sozinho, garotinho? Posso te ajudar em alguma coisa?
- Nada pode! Nada pode ser feito, doutor. – afirmou com tristeza em sua voz.
O homem riu com a simplicidade do garoto e disse:
- Tudo pode ser feito... qualquer coisa que desejar de verdade.
- Desejei por muitos anos estar aqui, e no dia que poderia vir, tudo deu errado, e ninguém pôde me ajudar.
- O que aconteceu?
O garoto contou toda a história para o homem de terno, que chamara de doutor, então o homem perguntou:
- Se soubesse que tenho o poder de punir qualquer um dos que disseram que “nada poderia ser feito” quem você diria que é o culpado nessa história?
- Ninguém. – afirmou o garoto, deixando o homem intrigado, com sua ingenuidade e humildade.
- Por que você acha isso?
- Meu pai não é o culpado, pois esse é o jeito dele, ele é conformado com o mundo e aceita com resignação, tudo que os outros impõem a ele. O funcionário não tinha culpa, pois além de estar cumprindo ordens, ele “estaria de folga!”. A empresa que faz a manutenção está ganhando por isso, e não ia cancelar, sem que o dono do parque desse a ordem. E eu? Bem...  Doutor, não posso deixar de sonhar. Então vim até aqui para tanto.
O homem emocionado pegou a mão do garoto, pediu que o mesmo o acompanhasse. Pediu aos trabalhadores que parassem com suas tarefas; levou o garotinho a cada um dos brinquedos, chamou um palhaço, e pediu para que o mesmo o contasse as melhores e mais engraçadas histórias; deu todos os doces que coubessem nos bolsos e no estômago do garoto. Sentindo-se realizado, após uma manhã inteira de diversão, como nunca tivera em sua curta vida, e o garoto, por fim, perguntou:
- Que é o senhor, doutor? Você é Deus?  
E o homem respondeu com a mesma humildade em que o garoto fizera a pergunta:
- Sou o proprietário do parque. E até ontem a noite, sequer soube da manutenção. Quando cheguei e o vi, ia perguntar se você havia comprado ingressos para que pudéssemos trocar, mas quando cheguei até você, percebi que aquilo não era apenas um convite para uma atração, mas sim, um sonho. E sabe por que construí este imenso parque? Por que o meu sonho era vender sonhos para garotinhos com você."

Douglas Piruzini.

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